Israel Marcon

Vice-presidente para a Serra Catarinense, da Fiesc, fala sobre o desenvolvimento da indústria na região

Cláudia Pavão
Foto: Cláudia Pavão

Folha da Serra_ Gostaria que você começasse falando sobre a situação das indústrias aqui da nossa região, porque Santa Catarina, neste período de pandemia, tem apresentado números positivos da indústria e da economia. A Serra acompanha esses números?

Israel Marcon_ Sim. Na indústria, apesar de termos sofrido muito no início da pandemia, quando tivemos um desempenho bem complicado, com queda muito forte; a gente viu, logo depois, que as coisas se estabilizaram. Houve uma retomada de crescimento muito forte, rápida, inclusive. E o que a gente tem acompanhado é reflexo desse bom desempenho na indústria. A falta, principalmente, de matérias-primas em vários setores industriais, tem ocorrido por causa desse aquecimento. Por causa da pandemia, houve redução da oferta e uma disputa muito grande, inclusive [por alguns produtos]. Nós que exportamos temos um outro indicador que é bem importante, que é o fluxo de container. A gente tem percebido uma dificuldade enorme na disponibilidade de contêineres. E o frete marítimo, que vem sofrendo reajustes, mostra um aquecimento muito forte da indústria. E, inclusive, também, temos índices de empregos, com saldo positivo, no ano, de novecentos e noventa empregos, no setor industrial da Serra Catarinense, que mais uma vez prova que o setor industrial, apesar de todas essas dificuldades, ainda é um setor que conseguiu passar por essas essa situação, e conseguindo recuperar suas perdas.

Obviamente, que temos alguns setores com dificuldade, né? O setor da construção civil, nós podemos dizer que vem sofrendo muito com essa falta de matéria-prima. Ainda é preocupante, temos alguns setores que essas dificuldades estão fazendo com que atrasem suas entregas, tendo que repassar esses custos para os seus produtos, mas, de certa, de maneira geral, essa estabilidade que o Estado divulga sobre o setor industrial catarinense, é um setor importante, e a Serra Catarinense também pode dizer o mesmo.


A logística é um dos fatores mais importantes para o desenvolvimento da economia, da indústria. Aqui na Serra, duas questões são bastante importantes, como a duplicação da BR-116, e da BR-282. Como você vê essa questão?

A Fiesc, desde o último mandato, do nosso presidente Glauco, e agora, mais ainda, com o nosso presidente Mário Aguiar, que também acumula a função de presidente da Câmara de Logística, sempre buscou uma interlocução com o setor público, principalmente, com o ministério do desenvolvimento, para brigar por essas rodovias que são tão importantes para o escoamento da produção e para a logística de todo o transporte. A BR-282 deveria ser contemplada na sua plenitude e não só em alguns trechos, porque cruza praticamente todo o Estado. Temos um trabalho já executado de que se promoveria, principalmente, num primeiro momento, as terceiras faixas e dos trechos mais complicados, o que já seria, de certa forma, importante para reduzir o travamento do trânsito. Com a terceira pista, já resolveria uma parte do problema. Há esses projetos que seriam em torno de setenta quilômetros contemplados com faixas duplas e até em alguns trechos a duplicação, que poderia fazer com que a 282 se tornasse melhor do que é. A Fiesc acompanha todos esses projetos. Sabemos que o Governo Federal, há tempos, vem com escassez de recursos, não fazendo os investimentos que deveria em todas as rodovias. Tem o caso da BR-470, que também sofre com a falta de recursos. Então, entendemos que, de certa forma, talvez, o problema seja resolvido pela iniciativa privada. Tem as questões do pedágio, que devem ser observadas. Não adianta fazermos uma concessão onde o pedágio seja inviável.

A BR-116, a gente tem acompanhado todas as ações, principalmente as últimas divulgadas pela companhia responsável pela concessão. Inclusive, a gente sabe que tem trecho aqui de Lages que foi apresentado projeto, que seria feito, e até hoje não vimos essa obra. Então, a gente deve, novamente, não só a Federação, mas todas as entidades empresariais, cobrar.


Ainda com relação à logística, temos o Aeroporto Regional que, esperamos, seja inaugurado em breve.

É outra situação importantíssima. Tínhamos o aeroporto em Lages, operando há até pouco tempo, e a pandemia prejudicou e acabou que a empresa não operou mais esses voos. Temos um empresário importante, do setor metalmecânico, que capitaneia um grupo de estudos e trabalhos, o Anderson de Souza, voltado para as questões do aeroporto e o setor empresarial tem acompanhado. A viabilização do aeroporto de Correia Pinto, para que inicie sua operação, um aeroporto que há muito tempo está praticamente pronto, aguardando alguns equipamentos que, no nosso entendimento nem são tão onerosos, possa dar condições de a empresa voltar a operar. Entendemos que os voos são primordiais para a região. Percebemos que, inclusive, perdemos investimentos por falta do aeroporto, e Lages e região acabam ficando em segundo plano por essas questões de logística. Então, temos de ficar atentos e torcer para que logo seja inaugurado e os voos voltem a operar.


Entre as ações da Fiesc pelo desenvolvimento, está a liberação, pelo BRDE, de crédito para micro e pequenas empresas. As linhas de crédito existentes são muito burocráticas?

No nosso entendimento, não podemos apenas defender as grandes ou médias indústrias, mas também as micro, mesmo que não contribuam para o Sistema. Mas somos uma entidade que, acima de tudo, quer o desenvolvimento do Estado, quer que a micro empresa e a indústria de qualquer porte se desenvolva, porque é importante para o nosso Estado e essas linhas, principalmente depois da pandemia, a gente sabe que aquele empresário menor foi o que mais sofreu. Tem negócios que foram muito afetados com as dificuldades de fechamento [das atividades econômicas].Isso tudo gerou muita incerteza, gerou muita perda de receita. Então, as pequenas são as que mais sofreram. Existe uma câmara dentro da Fiesc, que é a câmara da micro e pequena indústria que, justamente, olha para esses detalhes, e tá sempre defendendo os interesses mais a fundo dessas pequenas empresas. Então, há uma linha de crédito que foi viabilizada com a intermediação da federação, junto ao BRDE, de empréstimos de capital de giro até oitenta mil reais seriam viabilizados sem qualquer tipo de aval. Então, seria uma forma de tentar auxiliar essas pequenas a passarem por esses momentos, retomar suas atividades; e com longo prazo também, um espaço novo para poderem fazer os seus pagamentos. Então, são ações que também a federação pode colaborar e foi o que ela fez. É importante essa atuação.


O desenvolvimento econômico de uma região passa,também, pela instalação de novas empresas. Aqui em Lages, temos a Berneck que, talvez, se transforme na maior empresa da nossa cidade, além de outras que estão por vir ou que já estão se instalando. A qualificação da mão-de-obra ainda é uma preocupação? A Fiesc tem alguma atuação nesse sentido?

Essa pergunta é excelente. A gente ouve muito que a nossa região fica, de certa forma, um pouco para trás das demais, em termos de desenvolvimento. E a gente percebe que há ainda um vácuo muito grande de pessoas mais qualificadas. Há vagas de emprego, as indústrias têm vagas, precisam contratar. Por outro lado, temos um número grande de pessoas cadastradas em programas do governo, de auxílio. Então, o grande desafio é esse. Como podemos qualificar essas pessoas para que possam ocupar essas vagas? Continuar qualificando cada vez mais o jovem que está saindo do ensino médio e fazer com que se sinta atraído pelas vagas da indústria, além de fazer com que tenham esse interesse e percebam que, muitas vezes, uma carreira nesses nessas atividades, pode ser mais interessante do que aquelas que se criou uma certa aura. A Fiesc trabalha fortemente pela qualificação, com o Senai, focado, justamente, na aprendizagem, na qualificação técnica dos trabalhadores. Temos a oferta de cursos técnicos que já fazem parte da grade do Senai. A empregabilidade de quem faz os cursos técnicos no Senai é de 90%. Quem faz os cursos do Senai, já está empregado ou logo estará. Temos as qualificações de cursos rápidos, que é uma nova modalidade que a gente está trazendo, além dos cursos moldados para a indústria que quer algo específico. A Fiesc tem essa preocupação muito grande, e a gente percebe que essa preocupação também faz parte do Poder Público. Nós temos o secretário, hoje, de desenvolvimento, que é o Joinha [Álvaro Mondadori], extremamente ligado a essas questões. Lages tem essa lacuna e, de certa forma, temos boas instituições preocupadas e voltadas a suprir essa falta de qualificação.

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