Estiagem ameaça a agricultura serrana

Mauro Maciel
Rio Antonina
Foto: São Joaquim Online
No início deste ano São Joaquim já sofreu com a estiagem. O Rio Antonina, que abastece a cidade, ficou seco

Na soja, os preços pagos ao produtor bateram recordes com aumento de 9,2% entre agosto e setembro. Nos últimos doze meses, a alta foi de 40,79%. A valorização também contempla carnes e hortaliças. Mas enquanto comemoram os preços, os agricultores estão apreensivos com a estiagem, situação que pode prejudicar as culturas de verão e inclusive a produção de frutas, carro chefe de municípios como São Joaquim, Bom Jardim da Serra e Urupema.  

Segundo relatório divulgado pela Epagri, Santa Catarina registrou menos da metade da chuva esperada para os primeiros 19 dias de outubro. Em cinco das 10 regiões consideradas pela Epagri, a quantidade de chuva acumulada foi pelo menos 100 mm menor do que o esperado. Na Serra Catarinense a média é de 105mm para o período, mas não chegou a 30mm.

No início deste ano vários municípios da região sofreram com a estiagem. Em São Joaquim houve até racionamento e a situação só foi contornada com a perfuração de poços artesianos, medida adotada em conjunto por vários municípios via Amures.

Agora, as piores situações estão nas regiões Oeste e Meio-Oeste, onde choveu menos de 15 mm no período. Já nas regiões litorâneas - onde a precipitação é menor nesta época do ano - a situação não foi tão crítica, mas os volumes de chuva ainda estão 65 mm abaixo do que era estimado.

Com as chuvas abaixo da média, o abastecimento de água fica comprometido. Atualmente, 21 estações hidrológicas estão em situação de emergência em Santa Catarina. Em Seara, já estão sendo utilizados caminhões pipa para garantir o transporte de água para consumo humano. Felizmente os municípios serranos ainda não enfrentam problemas de abastecimento nas cidades e no interior.

Além de afetar o abastecimento, a falta de chuvas também é uma preocupação para a agricultura. De acordo com boletim divulgado pela Epagri/Cepa em outubro, a estiagem tem atrasado o desenvolvimento de algumas lavouras como arroz, feijão e trigo, além de atrapalhar o cultivo de outras culturas, como milho e soja.

A previsão divulgada pela Epagri é que as chuvas permaneçam abaixo da média até dezembro na maior parte de Santa Catarina. Segundo a Empresa, isto deve acontecer por conta do fenômeno climático La Niña, que também deve ser responsável por concentrar a maior parte das chuvas no litoral e elevar a temperatura no período.

Chuva regular somente em 2021

Nos próximos meses as chuvas continuam irregulares motivadas por frentes frias fracas. A previsão é do engenheiro agrônomo da Climaterra, Ronaldo Coutinho do Prado. "Deve chover com intensidade e regularidade somente nos meses de inverno do próximo ano," confirma.

Ele lembra que os municípios serranos e catarinenses enfrentaram estiagem prolongada entre os meses de fevereiro e abril. Na época, Coutinho já apontou que o ano seria problemática em relação à chuva, influência do fenômeno La Niña. Desta vez não deve faltar água nas cidades, mas a agricultura sentirá os efeitos.

Em São Joaquim, Coutinho avalia que por enquanto a produção de maçãs não foi afetada. Os pomares já estão carregados de pequenos frutos. A falta de água pode influenciar diretamente no tamanho das maçãs.

Produção_ O estado possui 16 mil fruticultores e, na última safra, produziu 600 mil toneladas de maçãs. São Joaquim, o maior produtor da região colheu cerca de 330 mil toneladas, somados aos municípios da Serra Catarinense, Bom Jardim da Serra, Bom Retiro, Urupema e Urubici a safra foi de 500 mil toneladas, maior que a prevista para este ano.

Poços artesianos_ Santa Cantarina amplia os investimentos para minimizar os efeitos da estiagem no meio rural. A Secretaria de Estado da Agricultura, da Pesca e do Desenvolvimento Rural irá destinar mais R$ 3 milhões para apoiar projetos de perfuração de poços, armazenagem e distribuição de água para atividades essenciais das propriedades rurais. O Projeto Água para Todos é operacionalizado via Fundo de Desenvolvimento Rural (FDR) e já destinou R$ 1,5 milhão em financiamentos para agricultores de Santa Catarina.

Fonte: Epagri

Precipitação nos primeiros 19 dias de outubro (variação com a média histórica)

Extremo Oeste: 28,8 mm (-147,4 mm)

Grande Florianópolis Litorânea: 55,7 mm (-67,6 mm)

Grande Florianópolis Serrana: 35,5 mm (-87,2 mm)

Litoral Norte: 57,1 mm (- 79,5 mm)

Litoral Sul: 52,4 mm (-68,9 mm)

Meio-Oeste: 12,6 mm (-141,6 mm)

Oeste: 13,5 mm (-156 mm)

Planalto Norte: 50,7 mm (-99,2 mm)

Serra Catarinense: 27,6 mm (-105 mm)

Vale do Itajaí: 24,8 mm (-110,3 mm).


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