Carmen Zanotto

Deputada diz que 'exige de nós a preocupação e o reforço no autocuidado'

Cláudia Pavão
Foto: Mauro Maciel

Deputada federal por Santa Catarina, única representante da Serra Catarinense na Câmara Federal, Carmen Zanotto está no terceiro mandato e tem se destacado em vários assuntos de interesse nacional, especialmente, naqueles referentes à saúde. Ela é, inclusive, a coordenadora da Frente Parlamentar Mista da Saúde.


Folha da Serra_ Como a senhora avalia a situação sanitária do Estado de SC, especialmente na região Oeste, e o que acredita ser necessário fazer para conter a propagação do vírus?

Carmem Zanotto_ Primeiro gostaria de dizer que, mesmo com o recesso, nós da Comissão Externa mantivemos as reuniões informais, para discutir questões sobre os insumos estratégicos do IFA (Ingrediente Farmacêutico Ativo) para termos mais vacinas; a questão da região do Amazonas; a situação do Pará entre todos os estados. E nós, aqui em Santa Catarina, em especial nesses últimos dias vivendo uma situação mais complexa, com taxas de ocupação de 100% dos leitos de UTI, em especial Chapecó e todo o Oeste de Santa Catarina. Isso é reflexo, um pouco do cansaço das pessoas com relação a esta pandemia que já estamos vivendo há um ano e, com isso as pessoas também precisam retomar o trabalho... Mas para mim, na questão sanitária, os cuidados devem ser redobrados nas questões mais primárias, com a família e os eventos, como festas de aniversário e outros que têm alimentação e as pessoas acabam tirando a máscara para conversar. Com isso, a gente está vendo essa situação mais complexa no país que, ainda pela insuficiência de doses de vacina, exige de nós a preocupação e o reforço no autocuidado.


Assim como Chapecó, outros estados do Brasil estão passando por uma fase bastante difícil em ralação à pandemia. O que preocupa é que as pessoas não percebem que, apesar de estar longe de suas cidades, pode refletir e chegar nelas muito rápido.

Exatamente. Quando vimos Wuhan, no início do ano passado, e muitos brasileiros pediram para serem repatriados, em janeiro, fevereiro; imaginávamos que estava muito longe e, naquele momento, como a pandemia era localizada, mais centrada na província de Wuhan, não se imaginava que chegaria tão rapidamente no Brasil e nos demais países, e chegou. Então, olhara para o Amazonas e para as regiões mais complexas como o Oeste de Santa Catarina, é buscar redobrar o cuidado nas nossas cidades, para que a gente não tenha necessidade de fechamento de estabelecimentos comerciais e outras medidas mais duras, porque as pessoas já estão muito prejudicadas, tanto quem gera emprego e renda, quanto o trabalhador, assim como a sociedade como um todo, com os internamentos e os óbitos das pessoas queridas. Os prejuízos dessa pandemia já são gigantes, por isso a gente precisa aguentar mais um pouquinho, até conseguirmos ter vacina para uma população mais ampliada do que aquela que já está sendo vacinada.


Outra questão relacionada à pandemia é com relação aos leitos de UTI para a Covid e aqui em Lages, têm os leitos da nova ala do Hospital Tereza Ramos. Qual a situação desses leitos?

Em Santa Catarina como um todo, temos mais de 700 leitos. O Estado disponibilizou junto ao conjunto de hospitais filantrópicos, hospitais públicos e secretários municipais de Saúde, com financiamento do Ministério da Saúde, chegamos a 732 leitos de UTI específicos para a Covid. Qual é o grande problema de dezembro para cá? De dezembro para cá não temos mais os recursos emergenciais para o enfrentamento da Covid por parte do Ministério da Saúde. Então, estamos [Câmara Federal] pedindo para o Ministério da Economia que libere, o mais rápido possível, o crédito emergencial, em torno de R$ 5.2 bilhões para que o Ministério da Saúde possa fazer este enfrentamento e reabilitar esses leitos de UTI, porque, hoje, muitos deles estão sem financiamento. E quando a gente fala isso, está falando de Lages, de toda a região serrana e do Estado de Santa Catarina. Para se ter ideia, dos 40 leitos que Chapecó tinha, 35 venceram [o financiamento federal] em dezembro e cinco em janeiro. Isso não significa que esses leitos não estão à disposição. Eles estão à disposição da população, mas sem o respectivo financiamento por parte do Ministério [Saúde], então, a gente está buscando esse financiamento. Estive em diálogo, mesmo nesse período de 'feriado do Carnaval', com o ministro [Eduardo] Pazzuelo e demais autoridades, porque participo da Comissão Mista do Orçamento e a gente precisa garantir esses recursos. E, o Tereza Ramos, está com os seus leitos de UTI ativados, mas a grande demanda que temos, o grande pedido de Lages e região, e já estivemos com o secretário de Saúde de Santa Catarina, o doutor André Motta, pedido abertura de alas de internamento. Se não dá para abrir todas as alas, que isso possa ser feito gradativamente e o mais rápido possível, porque os pacientes das demais patologias também precisam de atenção e a gente sabe que este ano será mais complexo ainda para o setor saúde, porque muitas das pessoas que já precisavam ser operadas no ano passado, não foram. Então, a gente tem todo o atendimento de 2021, agregado aos não atendimentos de 2020, que precisarão ser atendidos neste ano.


E o secretário sinalizou positivamente a esse pedido?

Pela fala dele, os leitos deverão ser disponibilizados, mas ele [André Motta] não precisou data, porque quer ter segurança com relação a isso. Nosso pedido foi que fosse abrindo de andar em andar. Com isso a gente tem 30 leitos, mais 40, até o bloco todo ser aberto.


A esperança para o fim dessa pandemia é a vacina, mas estamos vendo que em alguns estados do país já começa a faltar. Qual a real situação e a expectativa para que o imunizante não falte?

Tranquila não para dizer. Tenho recebido muita demanda de profissionais da saúde que não foram vacinados ainda. Essa primeira etapa estava designada para os trabalhadores da saúde, da linha de frente, ou seja, UTI Covid, centro de triagem Covid, unidades básicas de saúde com atendimento Covid. E como estava um pouco amplo no texto do Plano Nacional de Vacinação, dizendo 'trabalhadores da área da saúde', para algumas cidades, isso se estendeu para além dos trabalhadores da linha de frente e, com isso, outras cidades não conseguiram imunizar todos os profissionais de uma unidade hospitalar, por exemplo, como é o caso de alguns hospitais de Lages, que a gente está recebendo esta demanda. As pessoas que estão institucionalizadas foram vacinadas, mas o grande desejo era que já estivéssemos vacinando todas as pessoas acima dos 60 anos. Com isso, estaríamos aliviando e reduzindo o risco da necessidade de um internamento hospitalar e até mesmo de uma UTI. A boa notícia desses últimos dias é que o termo de compromisso entre o Ministério da Saúde e o Instituto Butantã, de mais 54 milhões de doses, para que o Butantã pudesse confirmar o IFA, aconteceu. Então, significa que a gente pode ter uma expectativa de, até o mês de junho ou julho, termos, por parte do Butantã, 100 milhões de doses distribuídas no país, porque, o que realmente foi disponibilizado, foi o que já veio pronto por parte dos laboratórios, tanto do AstraZeneca pela Fio Cruz, quanto da CoronaVac pelo Butantã, e aqueles 6 milhões de doses que o Butantã já tinha o IFA. Mas nós precisamos de todas as vacinas que tenham sua segurança e eficácia comprovadas. Caso contrário, vamos viver por muitos meses nessa situação e o ideal é poder vacinar o maior número possível da população brasileira, respeitando os grupos prioritários.


Esse texto mais amplo do Plano Nacional de Vacinação acabou gerando um mal-entendido e uma insatisfação em parte dos profissionais da saúde, que acabaram por não receber a vacina, que é o caso de profissionais do Tereza Ramos, aqui em Lages, os quais, inclusive, fizeram mobilização.

Quando se fala de trabalhadores da área da saúde, fala-se em trabalhadores que estão realmente atuando frente à pandemia, tem os administrativos, e tem os demais que atuam dentro das unidades hospitalares. A grande reivindicação dos que estão dentro dos hospitais é que todos eles possam ser vacinados, em função de estarem circulando nos hospitais, de terem contato com os colegas de serviço que atuam na área da Covid. É uma reivindicação justa, mas, lamentavelmente, os critérios se dão e, neste momento, precisamos ser os mais rigorosos possível. O nosso trabalho, lá na Câmara Federal, é buscar garantir o maior número de vacina possível. Os critérios de quem será vacinado são definidos pelo Executivo. É do Executivo Municipal, junto com as deliberações do Executivo Estadual, da Secretaria de Estado da Saúde. O que não pode ter é tratamento diferenciado entre trabalhadores que os setores são correlatos.


Na quinta-feira (18), a Câmara deve votar uma MP que autoriza Governo Federal, estados e municípios, a comprarem vacinas contra a Covid-19 sem licitação e mesmo antes do registro sanitário ou autorização temporária de uso emergencial. O que a senhora pensa a respeito?

É a Medida Provisória 1026, que detalha um pouco mais os critérios para a aquisição de vacinas e insumos estratégicos para a pandemia. Eu compreendo e defendo que o Governo Federal precisa disponibilizar todos os recursos necessários. Por isso, nosso esforço junto à Comissão Mista do Orçamento, com o Ministério da Economia, para que disponibilize todos os recursos para o Ministério da Saúde e essas aquisições sejam feitas pelo Ministério da Saúde e distribuídos igualmente para o conjunto dos estados e municípios. Não podemos ter estados com poder de aquisição maior, outros, menor; que uma cidade possa comprar, outra não possa comprar. Isso, na minha avaliação, não pode haver uma competição desleal. Daí, aquele que vai pagar um pouco mais consegue comprar ou não. Mas lamentavelmente, houve atrasos na tomada de decisão para a aquisição de vacinas para o país e, com isso, as dificuldades.


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