São Joaquim

Prejuízo com granizo pode comprometer safra

Dionata Costa / Mauro Maciel
Foto: Dionata Costa
Frutos ficaram muito prejudicados e perderam valor de mercado

A colheita da maçã iniciou há cerca de 15 dias e os fruticultores de São Joaquim comemoravam a expectativa de ter uma safra 16% maior em relação ao ano passado, com mais de 300 mil toneladas. A quantidade permanece, mas a qualidade foi seriamente afetada pelo granizo que atingiu os pomares no último domingo (14). A proporção dos prejuízos é tamanha, que ontem a Associação dos Produtores de Maçã ainda não tinha concluído o levantamento. As pedras de gelo atingiram também parte dos pomares de Urupema, vinho a São Joaquim.

Alguns produtores atingidos na localidade da Invernadinha, que não possuíam telas de proteção nos pomares, tiveram prejuízos de até 100% nas variedades Gala e Fugi. Para se ter uma noção mais exata, um bin maçã (grande caixa de cerca de 350 quilos) é cotado, em média, a R$ 600,00 ou R$ 700,00. Após o granizo o preço cai para R$ 120,00 ou R$ 100,00, valor que não cobre os custos de produção, mão-de-obra para a colheita e um ano todo de trabalho no sol, na chuva e no frio intenso de São Joaquim.

"Após a maçã ser atingida pelo granizo, ela acaba recebendo danos como o corte da casca e fica também magoada pelo choque mecânico da pedra de gelo. Já que, neste época, ela está com o processo de maturação acelerada, então os fungos acabam se beneficiando e atingindo o fruto provocando a podridão. Outra característica que pode ser observada é que a maçã tenta se recuperar do dano, formando um filamento de tecido encortiçado e duro o que causa um aspecto ruim e desclassifica totalmente a maçã atingida pelo granizo." Explicou a engenheira agrônoma, Rosângela Pazzeto.

A Associação de Produtores de Maçã e Pêra de São Joaquim pediu aos seus associados que informem as área atingida para que se possa fazer um detalhamento mais específico dos danos causados pelo granizo na região de São Joaquim, algo que ainda não foi concluído.

Granizo demorou 24 horas para derreter

A intensidade do granizo foi tanta que na segunda-feira (15), mais de 24 horas após a chuva, ainda havia granizo nas telas e no chão dos pomares, mesmo com a temperatura atingindo a máxima de 24ºC.

Palanques com mais de 20cm de diâmetro, utilizados para sustentar as telas de proteção antigranizo, não suportaram o peso do gelo acumulado e quebraram como se fossem palitos.


Maior produtor nacional

O Brasil produz, em média, 1,1 milhão de toneladas de maçã. A produção está concentrada no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina. Nosso estado é o maior produtor nacional, com cerca de 70% do total e neste contexto São Joaquim é o município que mais produz no Brasil, com a média de 300 mil toneladas do fruto.

Na região da Serra Catarinense, Bom Retiro, Urubici, Urupema e Bom Jardim da Serra também são grandes produtores de maçã, mas não foram afetados pelo granizo. Incluindo São Joaquim, todos são municípios essencialmente agrícolas e uma quebra na produção de maçã representa prejuízos severos à economia, mesmo que alguns pomares tenham seguro.

É que quando a colheita ocorre normalmente, movimenta o setor de transporte, de máquinas agrícolas, Serviço e Comércio, gerando milhares de empregos.


Foto: Maçã granizo 1 ou 3

Crédito: Dionata Costa / Divulgação

Legenda: Frutos ficaram muito prejudicados e perderam valor de mercado

Foto: São Joaquim granizo tela

Crédito: Mycchel Legnaghi / São Joaquim Online / Divulgação

Legenda: Gelo se acumulou nas telas provocando a quebra de palanques de sustentação



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