Há vagas, falta qualificação

Prefeitura de Lages pretende implantar área industrial no terreno destinado à Sinotruck

Foto: Mauro Maciel

Conciliar a qualificação profissional de quem procura por um emprego, com as necessidades das empresas é uma equação difícil de ser solucionada. O tema é discutido, pelo menos, há 20 anos e é encarado como o maior desafio do novo secretário de Desenvolvimento Econômico de Lages, Álvaro João Mondadori Júnior, o Joinha, que está a menos de 20 dias no cargo. Ele avalia que existem vagas abertas, principalmente em setores que exigem conhecimento em tecnologia e remuneram muito bem. Mas as pessoas que procuram emprego não têm o conhecimento necessário para preencher os requisitos.

No início deste mês, Joinha percebeu que o Banco do Emprego, setor que faz parte da Secretaria de Desenvolvimento, só tinha vagas para cargos que praticamente não exigiam qualificação e, por consequência, ofereciam baixos salários. Ao visitar os setores de Recursos Humanos das empresas, constatou a existência de vagas que oferecem remuneração de R$ 4 mil ou mais e exigem qualificação específica. "Pelas visitas que fiz, os setores Metalmecânico, Florestal e Agro estão bombando. Tem empresas que estão deixando de fazer orçamento porque não dão conta da demanda. Não conseguem contratar."

Como exemplos ele citou a NDDigital, que precisa de 40 funcionários e a Rede de Farmácias Líder, que tem 13 unidades em Lages e está abrindo mais duas. Ela está com dificuldade para contratar 10 funcionários.

No caso da NDD, Joinha comenta que o mercado de tecnologia muda muito rápido. Inicialmente as pessoas formadas nas faculdades de Lages atendiam os requisitos, mas como as grades dos cursos de tecnologia não são atualizadas com frequência, os profissionais formados atualmente não possuem o conhecimento exigido pela empresa. "A Albras deixou de prestar serviço para a Seara porque não conseguiu contratar operador de empilhadeira", lamenta o secretário.

Outra preocupação é com a Berneck, que inicia a produção até o final deste ano e precisa de mão de obra qualificada. Ao todo, entre diretos e indiretos, serão dois mil postos de trabalho. A empresa vai movimentar 400 caminhões por dia com toras de madeira e atrairá várias prestadoras de serviço.


Motivos históricos

O secretário de Desenvolvimento Econômico de Lages, Álvaro João Mondadori Júnior, acredita que a falta de qualificação é consequência, também, da origem econômica da região, que era um grande entreposto comercial. Com o tempo, a economia se diversificou, mas os profissionais por falta de atenção ou de interesse não se qualificaram para atender essas demandas.

Ele lembra que há 20 anos as madeireiras não tinham paredes e eram com chão batido. Atualmente, o profissional precisa ter conhecimento básico até de inglês para operar as máquinas.

Em conversa com um consultor do Sebrae, Joinha diz que ficou claro essa tendência de trabalhar somente com o Comércio. De cada 10 empreendedores de Lages, 10 revelaram que querem investir no Comércio e dois na Indústria. Em Rio do Sul, há 125 quilômetros de Lages, de cada 10, oito querem investir na Indústria.


O que será feito

Com o levantamento das necessidades das empresas, a Secretaria de Desenvolvimento Econômico vai entrar em contato com o Sebrae e com o Senac para viabilizar a abertura de cursos. Depois, o que considera mais difícil, Joinha quer estimular as pessoas a fazerem esses cursos.

Os cursos oferecidos pelo Programa Qualifica Mais, da secretaria, também serão direcionados neste sentido e as pessoas que estão constituindo Microempresa Individual (MEI) serão orientadas a fazer isso para trabalhar por conta própria e não para serem prestadoras de serviço de outras empresas.

"No início deste mês tínhamos 10.028 MEIs. Sabemos que muitos estão montando para atender empresas, em substituição aos funcionários contratados via CLT. Mas queremos que essas pessoas realmente se tornem empresários e gerem empregos e renda. Formamos uma parceria com o Banco da Família para facilitar o acesso ao Programa Juro Zero, do Governo do Estado."

Joinha comenta que o Juro Zero empresta até R$ 5 mil, que pode ser usado na compra de materiais e equipamentos, facilitando o início da empresa. Ele quer contratar também um consultor, para que os microempresário sejam orientados em como calcular custo dos produtos para realmente ter a chance de crescer.


Nova área industrial

Para atender as empresas que querem se instalar em Lages ou que pretendem ampliar, além de reverter terrenos cedidos e que não foram utilizados devidamente, a prefeitura quer implantar a Área Industrial de índios, que vai utilizar o terreno destinado para a Sinotruck. O terreno está no nome da prefeitura, mas pertence a SCParcerias, do Governo do Estado. O prefeito Antonio Ceron esteve em Florianópolis e negociou o pagamento da área. "O contrato previa que teríamos que pagar pelo terreno na medida em que a área fosse usada. O pagamento se dará por meio de desconto do valor de ICMS devido pelo estado ao município, em 184 meses," comenta Joinha.

Serão instalados entre 200 a 250 lotes, dependendo do tamanho destinado para cada empresa. O estudo ambiental já foi feito, a Licença Ambiental Previa (LAP) foi emitida, mas precisa ser renovada e as discussões para a implantação de um acesso na BR-282 serão retomadas junto ao Dnit. A rede de energia elétrica existente é suficiente para atender as primeiras empresas e a Semasa implantará um poço artesiano para fornecer água potável. O projeto também prevê o tratamento de esgoto.



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